domingo, julho 23, 2017

Claude Rich (1929 - 2017)

Talento tão discreto quanto multifacetado, foi um actor de prestígio em teatro e cinema: o francês Claude Rich faleceu no dia 20 de Julho, em Orgeval — contava 88 anos.
No Conservatório Nacional, enquanto estudante de arte dramática, integrou uma ilustre geração a que também pertencem, por exemplo, Jean Rochefort, Jean-Paul Belmondo, Jean-Pierre Marielle e Bruno Cremer. Passou pelo palco do Théâtre de la Renaissance, em Paris, tendo a sua estreia cinematográfica sob a direcção de René Clair, em As Grandes Manobras (1955). Rapidamente reconhecido como um excelente secundário, trabalhou de novo sob a direcção de Clair (Todo o Ouro do Mundo, 1961), e ainda Jean Renoir (O Cabo de Guerra, 1962) e Georges Lautner (Violência, Dinamite e Boas Maneiras, 1963). Depois de Onde está o Oscar? (1967), comédia de Édouard Molinaro com Louis de Funès, e A Noiva Estava de Luto (1968), drama policial de François Truffaut, Alain Resnais ofereceu-lhe, ainda em 1968, aquele que ficaria como um dos seus mais notáveis papéis: Je t'Aime, Je t'Aime [video], belíssimo melodrama com uma dimensão de ficção científica.
Cumprindo uma carreira cinematográfica de muitas dezenas de títulos, voltou regularmente ao teatro, nomeadamente em 1989, na peça Le Souper, de Jean-Claude Brisville — a respectiva versão cinematográfica, realizada por Molinaro em 1992, valeu-lhe o César de melhor actor — seria distinguido com um César honorário em 2002. A sua versatilidade levou-o sempre a mostrar disponibilidade para os papéis mais insólitos, incluindo o de Panoramix, em Astérix e Obélix: Missão Cleópatra (2002), de Alan Chabat. Ladygrey (2015), um filme de Alain Choquart sobre a herança do apartheid, na África do Sul, foi o seu derradeiro trabalho.


>>> Obituário no jornal Le Monde.

sábado, julho 22, 2017

Jessica Chastain a preto e branco

O belga Willy Vanderperre fotografou (e filmou) Jessica Chastain para a nova campanha da marca Prada: um portfolio a preto e branco, intitulado 'Persona', em que a elegância da pose se combina com uma sofisticação eminentemente nostágica — a preto e branco, claro.

"Mad Men" — dez anos depois (2/4)

No dia 19 de Julho, assinalaram-se dez anos sobre a data de emissão do primeiro episódio da série televisiva Man Men — estas imagens foram publicadas no Diário de Notícias (18 Julho).

[ 1 ]

No meses de Verão de 2007, os mercados audiovisuais viviam dominados pelas sequelas cinematográficas. Em poucas semanas, com típico alarido do marketing planetário, tinham estreado os filmes Piratas das Caraíbas – Nos Confins do Mundo, Harry Potter e a Ordem da Fénix e Homem-Aranha 3, sequelas e continuações de fórmulas em que os grandes estúdios americanos continuavam (e continuam) a apostar. Mas o acontecimento mais emblemático estava nos ecrãs caseiros: o primeiro episódio da série televisiva Mad Men, criada por Matthew Weiner, foi emitido a 19 de Julho de 2007.
Rapidamente promovida a fenómeno de culto, a primeira temporada de Mad Men viria a arrebatar, em 2008, o Emmy de melhor série dramática (distinção que repetiu nos três anos seguintes). Até 2015, seriam produzidos 92 episódios repartidos por sete temporadas. Ao longo desse tempo, Mad Men foi sempre integrada pelo American Film Institute na lista das dez melhores séries do ano.
Enfim, um verdadeiro clássico, gerado à velocidade da televisão. E no sentido mais contundente do classicismo: há um “antes” e um “depois” de Mad Men, uma vez que a série definiu novos padrões de abordagem de uma conjuntura muito particular. A saber: a evolução da publicidade ao longo dos anos 60, em paralelo com as muitas transformações sociais que levaram a questionar modos e valores de comportamento.

Corpo e alma

Mad Men começou por impressionar através da minuciosa e obsessiva figuração dos anos 60. E escusado será sublinhar que o facto de a acção se passar no interior de uma agência de publicidade não é indiferente à exuberância de todo aquele universo. Das linhas rigorosas e sedutoras do guarda-roupa de homens e mulheres às formas de um mobiliário concebido como emblema de uma modernidade triunfante, estávamos perante um universo de cores felizes.
Ou talvez não... A visão de Weiner define-se a partir de um ancestral contraste: naquele bailado de corpos elegantes e ideias ligeiras, será que ainda existe alguma alma? Um dos magníficos cartazes da série avisava-nos para a perturbação inerente a tal dúvida: “Uma série sobre a verdade. E outras áreas igualmente cinzentas”.
Estamos, enfim, perante uma paciente desmontagem das ilusões dos míticos sixties. Era o tempo em que, da eleição de John F. Kennedy à generalização da pílula contraceptiva, o Sonho Americano parecia entrar numa radiosa celebração colectiva. Através de quê? De novas formas de consumo, ligadas, precisamente, aos produtos que a publicidade se empenhava em tornar irresistíveis.
À boa maneira dos melodramas que Hollywood produziu ao longo dos anos 40/50, começa por haver um casal exemplar: Don Draper (Jon Hamm), criador e co-proprietário de uma agência de publicidade, e Betty (January Jones), a sua mulher, símbolo “neutro” do sucesso do marido. De facto, a sua vida íntima, assombrada pelo álcool e pelas muitas infidelidades de Don, é uma tragédia suspensa — e tanto mais quanto tudo aquilo que ele viveu na guerra da Coreia se insinua como um fantasma que recusa desaparecer.
Através de um elenco de invulgar consistência (Elizabeth Moss, John Slattery, Christina Hendricks, Vincent Kartheiser, Kiernan Shipka, etc.), a série de Weiner soube criar um espelho ambíguo de um tempo tradicionalmente evocado como “puro” e “libertador”, na verdade habitado por muitas e dolorosas convulsões. Do machismo quotidiano às mais elaboradas formas de homofobia e anti-semitismo, Mad Men conta histórias que desmentem, ponto por ponto, a felicidade prometida pela publicidade. Sem esquecer que os cigarros estão sempre presentes, em todos os cenários, como se as almas estivessem a consumir-se num fogo sem remissão.

Barbara Weldens (1983 - 2017)

[ Barbara Weldens: site oficial ]
Um dos grandes talentos da actual canção francesa, Barbara Weldens faleceu no dia 19 de Julho, vítima de uma paragem cardio-respiratória, durante um concerto em Gourdon, provavelmente na sequência de um violento choque eléctrico (um inquérito foi aberto para esclarecer as causas da morte) — contava 35 anos.
Filha de artistas de circo, desde muito cedo experimentou as matérias do espectáculo, desenvolvendo uma multifacetada personalidade criativa. A sua óbvia filiação na tradição de canto, ao mesmo tempo confessional e teatral, a que pertencem Jacques Brel ou Léo Ferré, teria a sua eloquente confirmação, em 2016, quando venceu o Concurso Jovens Talentos do Festival Jacques Brel. Em Fevereiro deste ano, tinha sido publicado o seu primeiro álbum, o magnífico Le Grand H de l’Homme [capa] — este é o tema Je Ne Veux Pas de Ton Amour.


>>> Obituário no jornal Le Monde.

sexta-feira, julho 21, 2017

O sonho de Cornelius

Cornelius, isto é, o músico e produtor japonês Keigo Oyamada tem um novo álbum: Mellow Waves parece querer definir-se através de um gosto paradoxal de abstracção, capaz de transfigurar a imagem do corpo e a própria percepção do espaço urbano — o bem chamado tema In a Dream aí está, sereno e depurado, com teledisco a celebrar uma enigmática deambulação onírica.

SOUND + VISION Magazine
— FNAC, hoje

DICK TRACY (1990)
Numa altura em que a banda desenhada continua a inspirar alguns "blockbusters" de Verão, propomos uma viagem em torno das muitas e fascinantes ligações dos filmes com as histórias aos quadradinhos — imagens, músicas e aventuras por redescobrir.

* SOUND + VISION Magazine
> FNAC Chiado — hoje, 21 de Julho (18h30)

quinta-feira, julho 20, 2017

Filmes para ver e rever

De 20 de Julho a 16 de Agosto, o Nimas (Lisboa) apresenta um conjunto de filmes que, de uma maneira ou de outra, marcaram o último ano cinematográfico — este texto foi publicado no Diário de Notícias (19 Julho), com o título 'Elogio da pluralidade'.

Em finais de 2012, a reposição de Vertigo (1958), de Alfred Hitchcock, em cópia digital restaurada, foi um pequeno grande acontecimento no mercado português. Com distribuição da Midas Filmes, a obra-prima do mestre do suspense veio relançar uma hipótese comercial cuja pertinência não desapareceu. A saber: manter uma relação activa com as memórias cinéfilas, enriquecendo a oferta e diversificando a procura.
De então para cá, felizmente, essa e outras empresas têm sabido explorar as potencialidades de tal oferta. Todos os espectadores, a começar pelos mais jovens, têm tido oportunidade de conhecer grandes clássicos mais ou menos “esquecidos”, contrariando o lugar-comum segundo o qual todos os filmes “antigos” são meras curiosidades de museu, irremediavelmente datadas e pitorescas. Por vezes, redescobrindo preciosas raridades. A Alambique Filmes, por exemplo, através da marca Cinema Bold, anuncia para Agosto Stop Making Sense (1984), de Jonathan Demme, com os Talking Heads, um dos marcos da história dos “filmes-concerto”.
Neste contexto, a iniciativa da Medeia Filmes, sob a designação feliz de “Um Ano de Cinema(s)”, vem mostrar e demonstrar que a paisagem cinematográfica está longe de se poder reduzir aos filmes que têm anúncios nos canais de televisão ou conseguem encher de cartazes as nossas ruas e estações de metro. Não que os filmes com grandes meios sejam suspeitos do que quer que seja (a demonização automática da criatividade de Hollywood, mesmo com todo o seu poder ideológico, continua a ser apenas um preconceito chique). Acontece que qualquer relação cultural e comercial com o cinema passa pelo reconhecimento da sua pluralidade artística — por uma vez, importa lembrar que alguns críticos nunca desistiram dessa ideia.

"Mad Men" — dez anos depois (1/4)

No dia 19 de Julho, assinalaram-se dez anos sobre a data de emissão do primeiro episódio da série televisiva Man Men — estas imagens foram publicadas no Diário de Notícias (18 Julho).
SÍMBOLO — O genérico desemboca na pose de Jon Hamm (incluindo cigarro), ouvindo-se o tema A Beautiful Mine, do álbum Magnificent City (2006), do rapper Aceyalone, com o produtor de hip hop RJD2 [video em baixo]

MASCULINO — O cigarro, a bebida, a frieza da pose, algures entre desprendimento e arrogância: John Hamm talvez nunca venha a ser uma estrela de cinema, mas o certo é que já pertence à história da televisão
PODER — A lei profissional e social é inequívoca: as formas de poder foram organizadas pelos homens e para os homens — apresentam-se como personagens imaculadas de um dos seus anúncios

SOCIAL — Os anos 60 inventaram a ideia redentora segundo a qual homens e mulheres tinham atingido uma igualdade simples e utópica — vestiam-se até como figurantes felizes de um grande circo social
FEMININO — O pano de fundo é a clássica cozinha, mas a pose da mulher celebra uma nova ideia de igualdade (incluindo cigarro). O certo é que no olhar de January Jones coexistem desilusão e pânico
* * * * *
>>> Notas sobre a produção do genérico de Mad Men em 'Art of the Title'.

"Uma imagem solidária" [apresentação]

"Uma imagem solidária" — EUNICE LOPES
"Uma imagem solidária" — ANTÓNIO AZEVEDO
"Uma imagem solidária" — ANDRÉ KOSTERS
A convite da organização da exposição "Uma imagem solidária", destinada a angariar fundos para os bombeiros que combateram o incêndio de Pedrógão Grande, participei na respectiva apresentação — aqui fica o texto que li na sessão realizada na Fundação Portuguesa das Comunicações.

Há pouco mais de um mês, quando deflagrou o incêndio de Pedrógão Grande, o nosso conhecimento da tragédia passou, inevitavelmente, pelas imagens, sobretudo as imagens televisivas.

Inevitavelmente e, eu diria, naturalmente. Porquê? Porque as imagens constituem, hoje em dia, elementos naturalizados do nosso quotidiano. A esse propósito, muitos de nós gostam de lembrar o aforismo que nos garante que “uma imagem vale mais que mil palavras”.

E aqui peço licença para introduzir uma pequena nota dissonante. Espero mesmo que ninguém leve a mal o meu desencanto face a essa ideia segundo a qual as palavras podem ser sempre substituídas pelas imagens.

Quanto mais não seja porque acredito que há paradoxos que nos ajudam a pensar, faço questão em contrapor que há muitas situações em que uma palavra, uma palavra justa, uma palavra ponderada, pode valer tanto ou mais que mil imagens.

Apesar disso — ou melhor, precisamente, por causa disso — importa ver, contemplar e celebrar estas imagens que hoje, aqui, nos reúnem.

São imagens que enriquecem o nosso olhar. São imagens solidárias, como recorda o título da exposição, porque, justamente, existem para nos ajudar a lidar com o mundo à nossa volta — a sua pluralidade, o seu fascínio, as suas apoteoses e também as suas contradições.

Nesse sentido, e sem querer simplificar as potencialidades informativas e o valor social que as imagens televisivas podem envolver, creio que vale a pena lembrarmos aquilo que é, afinal, o poder mais ancestral da fotografia.

Será mesmo uma evidência rudimentar mas, na minha perspectiva, essencial: a fotografia sabe fixar o movimento do mundo, ajuda-nos a lidar com esse movimento, promovendo o instante, o fugaz instante, à condição de eternidade.

Os fotógrafos que contribuíram para esta exposição fazem-no, assim, através de dois princípios fundamentais:

— primeiro, manifestando a sua proximidade afectiva e o seu compromisso social com os bombeiros que combateram o fogo de Pedrógão Grande.

— depois, reiterando o conceito mais nobre do seu trabalho — a saber: cada uma das suas fotografias existe para que o nosso olhar descubra e redescubra o mundo na sua diversidade; essa é, afinal, uma forma profissional, artística e humana de ser solidário.

J. L.

quarta-feira, julho 19, 2017

"Uma imagem solidária" [exposição]

É hoje inaugurada, às 18h00, na Fundação Portuguesa das Comunicações, a exposição de fotografias 'Imagem Solidária'. Trata-se de uma iniciativa que, através de trabalhos de duas centenas de fotógrafos, se propõe angariar fundos para os bombeiros que combateram o incêndio de Pedrógão Grande — cada imagem poderá ser adquirida por um valor mínimo de 20€.
Eis o texto oficial de divulgação do evento:

O incêndio de Pedrógrão Grande é uma das maiores tragédias já vividas em Portugal, onde 64 pessoas perderam a vida. Entre elas, um bombeiro da corporação de Castanheira de Pera.

Os bombeiros são verdadeiros heróis e muitos dão a vida para tentar salvar as nossas. A solidariedade é incapaz de devolver vidas mas pode ajudar os bombeiros a terem melhores condições quando vão para o terreno.

Com este objetivo, cerca de 200 profissionais da fotografia uniram-se numa iniciativa única. Cada um doou uma foto, que irá compor “uma floresta de imagens” em exposição na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa. O público em geral terá a oportunidade de contribuir com um donativo que será entregue à corporação de Castanheira de Pera, pois era a este quartel que pertencia o bombeiro Gonçalo Conceição Correia. Este herói deu a vida a lutar pelas vidas dos outros.

Por cada doação pode ficar com uma fotografia de um dos fotojornalistas e fotógrafos que integram esta iniciativa.

A dimensão deste evento, inaugurado dia 19 de julho, pelas 18 horas, na Fundação Portuguesa das Comunicações, irá depender também da solidariedade e da presença dos cidadãos em geral.

Contamos com a sua presença neste evento que visa homenagear os bombeiros portugueses e angariar uma verba que será da dimensão da solidariedade de cada um.

O evento conta com o apoio da Fundação Portuguesa das Comunicação, da Colorfoto e da Evento Gourmet. Visite a exposição e apoie também esta causa.

Garbo, 1929 (2/2)

No passado dia 12, a Cinemateca exibiu o derradeiro filme mudo de Greta Garbo — este texto foi publicado no Diário de Notícias (12 Julho), com o título 'A mulher de muitas caras'.

[ 1 ]

Um velho preconceito condiciona, muitas vezes, o olhar dos espectadores de cinema sobre os filmes mais “antigos”. Por acção de uma cultura televisiva que tende a produzir ironia face a qualquer manifestação artística a que não seja possível colar o rótulo de “actualidade”, tudo o que nos remeta para épocas mais ou menos distantes é encarado como pitoresco, anedótico e, no limite, irrelevante.
O trabalho dos actores, por exemplo. De facto, não é verdade que o cinema mudo tenha sido habitado apenas por actores peritos em esgares mais ou menos histriónicos. Em primeiro lugar, a evolução da comédia até à eclosão do som, em finais da década de 1920, está longe de ser coisa banal ou desprezível; depois, os actores foram-se transfigurando desde os primeiros filmes que “reproduziam” a cena teatral até aos que, a pouco e pouco, souberam diversificar as escalas das imagens e enriquecer o conceito específico de montagem.
Nesse contexto, Greta Garbo (1905-1990) é um prodígio de versatilidade, subtileza e intensidade dramática. E não apenas porque passou, incólume, do mudo para o sonoro. Também porque toda a sua evolução revela um labor alicerçado na certeza de que a câmara de filmar, longe de ser um mero objecto de registo, é uma “coisa” que refaz as coordenadas de espaço e tempo, obrigando o actor/actriz a uma sofisticada arte corporal.
O Beijo, de Jacques Feyder, será um dos títulos mais reveladores dessa sua capacidade de abraçar a pluralidade das personagens — nela, e com ela, o mais discreto movimento dos olhos transforma-se num pequeno grande acontecimento no ecrã. Alguns anos mais tarde, com A Mulher de Duas Caras (1941), de George Cukor, decidiu despedir-se do cinema. O certo é que continuamos a celebrá-la como uma actriz genuinamente moderna.

terça-feira, julho 18, 2017

Martin Landau (1928 - 2017)

27 Março 1995
— melhor actor secundário, em ED WOOD
Célebre pelas composições de invulgares personagens secundárias, a sua carreira repartiu-se entre cinema e televisão: o actor americano Martin Landau faleceu no dia 15 de Julho, no Ronald Reagan UCLA Medical Center em Westwood, California — contava 89 anos.
Integrou a geração do Actors Studio a que também pertencia James Dean (1931-1955). O certo é que o seu modo interiorizado de representar nunca foi estranho a um rigor de pose e gesto a fazer lembrar a mecânica de algum burlesco — Charlie Chaplin era, aliás, uma das suas maiores inspirações. Depois de passar pela Broadway, teve o primeiro papel significativo em Intriga Internacional (1959), de Alfred Hitchcock, surgindo depois em grandes produções da época como Cleópatra (1963), de Joseph L. Mankiewicz, e A Maior História de Todos os Tempos (1965), de George Stevens. A série Missão Impossível (1966-69) transformou-o numa estrela televisiva [genérico].


Continuou a surgir regularmente no pequeno ecrã, nomeadamente no telefilme Paul Savage (1973), dirigido por Steven Spielberg, e na série Espaço: 1999 (1975-77), sendo ao mesmo tempo reconhecido como um impecável secundário, capaz de transfigurações tão discretas quanto intensas. Entre as dezenas de títulos da sua filmografia, podemos citar os exemplos emblemáticos de Nevada Smith (1966), de Henry Hathaway, Meteoro (1979), de Ronald Neame, Tucker (1988), de Francis Ford Coppola, Crimes e Escapadelas (1989), de Woody Allen, ou Ed Wood (1994), de Tim Burton, neste caso interpretando Bela Lugosi e arrebatando o Oscar de melhor actor secundário [cena com Johnny Depp]. O Número (2015), de Atom Egoyan, foi um dos derradeiros filmes em que participou.


>>> Obituário no New York Times.

segunda-feira, julho 17, 2017

SOUND + VISION Magazine
— FNAC, 21 Julho

Christopher Reeve
SUPERMAN (1978), de Richard Donner
Numa altura em que a banda desenhada continua a inspirar alguns "blockbusters" de Verão, propomos uma viagem em torno das muitas e fascinantes ligações dos filmes com as histórias aos quadradinhos — imagens, músicas e aventuras por redescobrir.

* SOUND + VISION Magazine
> FNAC Chiado — 21 de Julho (18h30)

George A. Romero (1940 - 2017)

in CineFantastique
Na genealogia das histórias de terror, é muitas vezes citado como o "padrinho dos zombies": o americano George A. Romero faleceu durante o sono, no dia 16 de Julho, em Toronto, Canadá; há algum tempo, tinha-lhe sido detectado cancro no pulmão — contava 77 anos.
Cineasta das lendas do Mal, o lançamento da sua carreira possui também qualquer coisa de lendário. Depois de algumas experiências na área da publicidade, foi com os seus amigos John Russo e Russell Streiner que se lançou na produção de um pequeno filme de terror, The Night of the Living Dead/A Noite dos Mortos Vivos (1968), centrado num grupo de humanos atacados por "mortos-vivos". Tendo custado pouco mais de 100 mil dólares, as suas receitas ultrapassariam os 30 milhões. Insolitamente, uma distracção legal fez com que o filme não fosse devidamente registado, acabando por entrar no domínio público muito mais cedo do que seria normal — daí a proliferação de cópias, todas elas legais, incluindo na Internet [uma delas aqui em baixo].
Com altos e baixos, Romero regressou regularmente aos contos assombrados, desde Guerra Ao Vírus Da Loucura (1973) até aos mais recentes Diário dos Mortos (2007) e A Ilha dos Mortos (2009), embora sem nunca conseguir repetir o impacto do primeiro filme. O certo é que o seu trabalho ficou como uma referência incontornável da cultura popular, sendo reconhecido por cineastas como Jonathan Demme ou John Carpenter, de alguma maneira influenciando fenómenos como a série televisiva The Walking Dead. Recentemente, anunciara um novo projecto intitulado Road of the Dead.


>>> Obituário em The Hollywood Reporter.
>>> George A. Romero em Senses of Cinema.